A forma como a palavra “recorde” é pronunciada na televisão virou caso de Justiça. O Ministério Público Federal em Minas Gerais (MPF-MG) entrou com uma ação contra a TV Globo, acusando a emissora de empregar de maneira equivocada a prosódia do termo e pedindo uma indenização de R$ 10 milhões por danos ao patrimônio cultural imaterial da língua portuguesa.
De acordo com o procurador, a emissora vem adotando de forma recorrente uma entonação considerada incorreta, o que, segundo ele, contribui para a disseminação do erro entre os telespectadores. Na ação, Neves sustenta que o termo “recorde” deve ser pronunciado com a tonicidade na sílaba “cor”, caracterizando-se como uma palavra paroxítona. Dessa forma, a leitura adequada seria “reCORde”, e não “RÉcorde”.
Para fundamentar a denúncia, foram anexados trechos de programas como Jornal Nacional, Globo Esporte e Globo Rural, nos quais o procurador afirma ter identificado o uso reiterado da pronúncia inadequada. Segundo ele, por se tratar de uma concessionária de serviço público com alcance nacional, a emissora tem a responsabilidade de adotar a norma culta da língua portuguesa, não apenas como uma escolha editorial, mas como um compromisso com a qualidade da informação prestada à sociedade.
O MPF argumenta ainda que a repetição sistemática desse tipo de erro fere o direito coletivo da população de ter acesso a uma programação educativa e informativa de qualidade. Com base nisso, o órgão pede que a empresa realize uma correção pública da pronúncia correta em seus telejornais e programas esportivos exibidos em rede nacional.
Além da retratação, a ação solicita a concessão de uma liminar em caráter de urgência para que a adequação seja feita o mais rapidamente possível.
Por Redação
Foto: Reprodução/Globo






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