Após cinco rodadas de negociações com os sindicatos, os donos das empresas de comunicação em Sergipe apresentaram uma proposta de reajuste salarial que tem gerado revolta entre profissionais da imprensa. O índice sugerido pelos patrões sequer garante um ganho real efetivo e ainda é parcelado de forma a reduzir o impacto para os trabalhadores.
A proposta prevê 5,40% de reajuste, levemente acima do INPC acumulado de 5,32%, o que os empresários vendem como “ganho real”. No entanto, o índice seria dividido em duas etapas: 3% a partir de julho, com retroativo a 1º de maio, e outros 2,40% a partir de outubro, sem direito a retroatividade. Na prática, metade do reajuste será aplicada sem corrigir salários já pagos, gerando perdas acumuladas.
Apesar da proposta tímida e considerada “vergonhosa” por parte da categoria, o Sindicato dos Radialistas de Sergipe aceitou o acordo com os empresários. Para muitos jornalistas, a decisão dos radialistas abriu um perigoso precedente e está sendo usada pelo sindicato patronal como pressão para que o Sindicato dos Jornalistas também aceitem o mesmo índice e as mesmas condições de pagamento.
“Hoje foi a quinta reunião com a classe patronal, e já tentamos de tudo. Essa foi, infelizmente, a melhor proposta que eles apresentaram até o momento”, afirmou Guilherme Fraga, vice-presidente do SINDIJOR, e presidente eleito para a próxima gestão do sindicato.
Para o Sindicato dos Jornalistas, a postura dos donos da comunicação reforça uma lógica de desvalorização da categoria, mesmo em um cenário de aumento das receitas publicitárias e de expansão das plataformas digitais das empresas. O parcelamento do reajuste e a ausência de retroativos integrais são vistos como uma manobra para reduzir custos às custas dos trabalhadores da comunicação.
A categoria agora enfrenta o dilema: rejeitar o acordo e seguir na luta por melhores condições, ou ceder à pressão já consolidada após a decisão dos radialistas. Enquanto isso, os patrões seguem usando a estratégia de dividir para enfraquecer.
A assembleia dos jornalistas está marcada para a próxima quarta-feira (23), e deve ser decisiva para definir o futuro da negociação.
Por Redação
Foto: Divulgação






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