A Orla da Atalaia vai se transformar no epicentro da diversidade no dia 31 de agosto, quando Aracaju receberá a 24ª Parada LGBTQIAPN+ de Sergipe. Contrariando o seguimento evangélico e conservador, que critica o apoio estatal ao evento, a prefeita Emília Corrêa fez questão de reafirmar, nesta quarta-feira (16), que a Prefeitura será parceira do evento, garantindo estrutura, segurança e apoio para que a celebração seja, mais uma vez, um marco de resistência, visibilidade e respeito.
Em reunião com integrantes da comissão organizadora da parada, Emília destacou o papel social e cultural da manifestação.
“A diversidade precisa ser debatida e acolhida. Vamos tomar todas as providências possíveis dentro das nossas condições para garantir o sucesso da Parada. A estrutura básica, como a presença da Guarda Municipal, SMTT, Defesa Civil e serviços de limpeza urbana, já está assegurada. Agora, vamos analisar o que mais podemos oferecer para que o evento leve não só alegria, mas também respeito e consciência”, declarou a prefeita, que professa a fé cristã evangélica.
A prefeita ressaltou que momentos como a parada vão muito além da festa: são espaços de luta e conscientização.
“São pessoas que precisam de visibilidade e políticas públicas. A parada é um momento para mostrar isso à sociedade e cobrar o que é necessário para o acolhimento e o cuidado”, frisou.
O vice-prefeito e secretário de Comunicação Social, Ricardo Marques, reforçou o compromisso da gestão municipal com todos os setores da sociedade.
“A Prefeitura é para todos. É fundamental apoiar movimentos sociais como o LGBTQIAPN+ e trabalhar para que o evento seja seguro, organizado e impactante, como a comunidade merece”, disse.
Capital da diversidade
Para Tatiane Araújo, coordenadora-geral da Parada LGBTQIAPN+ e presidente da Associação Sergipana de Transgênero (Astra), o encontro com a prefeita foi “extremamente produtivo”.
“A parada não é só festa: ela movimenta o turismo, fomenta cultura e coloca Aracaju no mapa nacional como a capital da diversidade naquele domingo. Hoje a prefeita reconheceu a importância do evento, não só no aspecto cultural, mas também como ferramenta de conscientização e transformação social”, afirmou.
Neste ano, o tema da parada será “Envelhecer LGBT+: Memória, Resistência e Futuro”, colocando luz sobre uma questão urgente: o abandono e a vulnerabilidade da população LGBTQIAPN+ na terceira idade.
“Pessoas trans têm expectativa de vida de apenas 35 anos. As que conseguem envelhecer muitas vezes enfrentam abandono e discriminação ainda maiores. Por isso precisamos falar sobre isso e lutar por políticas públicas que garantam dignidade em todas as fases da vida”, explicou a ativista.
Alessandra Tavares, do Coletivo Mães pela Diversidade, também destacou o diálogo como passo essencial para o fortalecimento da luta.
“A parada é o resultado de um trabalho intenso de instituições e movimentos. O apoio da Prefeitura é decisivo para que esse momento aconteça da melhor forma possível”, completou.
Presenças na reunião
Participaram do encontro os secretários municipais Itamar Bezerra (Governo), Fábio Andrade (Turismo), Simone Valadares (Assistência Social), Sidney Thiago (Fazenda) e Paulo Corrêa (Cultura); o presidente da Funcaju, Moura Filho; o diretor de Trânsito da SMTT, Julio César de Mattos Zambon, além de outros assessores e representantes do movimento.
Por Redação
Foto: Ronald Almeida/PMA






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