Deotap é instrumento de perseguição política e destruição de reputações, diz Isadora Sukita, que sugere a Belivaldo transformá-lo em partido político

A ação policial realizada pelo Departamento de Crimes contra a Ordem Tributária e Administração Pública (Deotap) voltou a ser questionada por lideranças políticas, especialmente o grupo liderado pelo ex-prefeito de Capela, Manoel Sukita, que critica o modus operandi do Deotap.

Depois de promover uma operação que culminou na prisão de Adalto Sukita, ex-presidente da Câmara de Capela e irmão do ex-prefeito Manoel Sukita, a estudante de Publicidade Isadora Sukita, revoltada com a prisão do tio, rompeu o silêncio e fez um apelo irônico ao governador Belivaldo Chagas: que ele transforme o Deotap em um partido político.

O apelo de Isadora Sukita está numa gravação, que o Hora News teve acesso, em que ela relembra a trajetória política do pai e as operações policiais que tiveram como alvo a família Sukita.

“Eu venho hoje fazer um direto pedido ao governador do nosso estado, Belivaldo Chagas, em nome de toda a população sergipana. Considerando que vossa excelência é o responsável pelas delegacias de polícia do estado, peço que transforme logo a Deotap em um partido político. Porque quem quiser fazer política lá vai poder fazer de forma legal e legítima”, desabafa Isadora, que cita o uso lawfare pela polícia para abusar da lei e alcançar objetivos políticos.

“Manipulação da opinião pública através dos meios de comunicação, designação de autoridades vinculados a determinados interesses, uso de testemunhas pouco confiáveis, determinação de penas antecipadas na mídia sem sentença judicial. Essa é a prática do lawfare, usar ou abusar da lei para alcançar um objetivo político. O lawfare é algo muito sério, é uma grande corrente jurídica. Todas essas características já foram usadas contra a minha família como um grande sistema bem organizado de destruição”, salienta a jovem, que deve concorrer a uma vaga na Câmara Municipal de Aracaju.

Ela relembra a época em que o pai foi preso e solto e posteriormente preso de novo, meses antes da realização da eleição de 2014 em que Sukita concorria ao cargo de deputado estadual e figurava entre os mais votados, segundo os institutos de pesquisas. Para Isadora Sukita, não fazer parte do “Clube do Bolinha” se paga um alto preço na política.

“Vou contextualizar esse pedido. Em 2014 eu vi meu pai ser preso na eleição de deputado estadual. Depois vi ele ser solto. Depois vi ele ser preso de novo. E as justificativas dadas para as prisões não pareciam muito convincentes aos olhos dos cidadãos leigos como eu e até de muitos advogados. As prisões foram consideradas arbitrárias e ilegais por juristas. E como é que se explica uma pessoa que vai presa duas vezes em uma eleição ser o quarto deputado mais votado? É porque a população percebe que existe uma perseguição política. Em 2018, liderando as pesquisas para deputado federal, foi preso de novo. E quando aconteceu, que eu vi o processo, que eu vi os erros absurdos do processo foi inacreditável. Eu disse: eu vou pegar isso aqui e vou escancarar em todas as cidades de Sergipe que eu conseguir passar. Então, eu com 18 anos, muito nova, fiz essa eleição sozinha, só com Deus e o povo. Fui à Brasília, voltei e com isso tudo tive muitas experiências pra saber que não fazer parte do clube do bolinha na política é um preço muito caro”, protesta Isadora, que diz acreditar que a prisão do tio foi orquestrada para que os adversários pudessem acompanhar e filmar a ação policial na casa do tio.

“Hoje eu estou vendo o meu segundo pai, que é meu tio, ser preso, nosso pré-candidato a prefeito que lidera as pesquisas, e eu não vou nem dizer a forma como entraram na casa dele e como trataram a família dele. E aparentemente nossos adversários já sabiam porque estavam na porta filmando. Eu me pergunto como eles já sabiam? Não venho dizer se meu tio está certo ou está errado porque eu não sou juíza, ele vai responder o processo dele. Mas será que está escrito na lei que precisa ser na humilhação?”, questiona Isadora, que não abandonou o pai quando esteve preso por quase um ano e meio.

A jovem política também coloca em dúvida o trabalho realizado pelos delegados da Deotap. Numa referência à delegada Danielle Garcia, ex-coordenadora do Departamento Policial, Isadora afirma que a delegada que prendeu Sukita em 2014 votou no candidato que traiu o pai, sendo beneficiado politicamente com a ação da polícia.

“Será que no nosso país, no estado, não tem grandes delegados, grandes policiais, pessoas que honram o trabalho que fazem? Claro que tem. Mas é muito duvidável o que acontece nessa delegacia em relação a minha família. A delegada da Deotap que investigou e prendeu meu pai em 2014 votou abertamente no candidato que traiu ele e que mais se beneficiou com a prisão dele.  Hoje ela é pré-candidata a prefeita de Aracaju. Também o delegado da Deotap que precisou se retratar por acusar meu pai de algo sem provas hoje é senador. Eu não sou obrigada a achar isso tudo normal e certo. A venda que aquela escultura da Justiça usa é pra simbolizar a imparcialidade que a Justiça deve ter, então pela lógica as autoridades que investigam políticos não devem ser políticos”, defende Isadora.

Mediante as ações consideradas injustas e com viés político, Isadora Sukita salienta que as pessoas não devem acreditar em toda a narrativa dos órgãos investigativos como sendo a verdade absoluta. Ela observa, ainda, que as ações da Deotap estão influenciando na política e destruindo reputações.

“Tudo que eu tenho visto de direito prático em relação a minha família descaracteriza todos os princípios básicos concretos e filosóficos que eu estudei quando entrei no curso de Direito. Hoje eu faço outro curso na UFS. Mas pra mim, como então cidadã leiga é uma grande decepção. E o que mais me decepciona é que as pessoas não sabem de nada disso. As pessoas confiam no que veem, no que ouvem. Não sabem o que acontece nos bastidores do sistema político. E isso é muito grave, porque é a política que decide o futuro de uma população. E quem perde com esse sistema não é só o nome Sukita, é a democracia. Já que as práticas dessa delegacia estão influenciando o pleito na cidade de Capela. Em vez de se viver em prol do bem comum, de projetos que beneficiem as diversas camadas do povo, se vive em prol dos próprios negócios e da destruição da vida dos outros. Então, eu chego à conclusão de que para esse pessoal, os fins justificam os meios, como dizia Nicolau Maquiavel. Para eles não importa quantas vidas destruírem, não importa o quão baixo você joga, pra eles só importa o poder. Porém, o poder do povo é mais forte do que as pessoas que estão no poder. E é isso que faz a democracia existir”, desabafa.

Duvidando da seriedade dos delegados que fazem a Deotap e dos candidatos oriundos desta delegacia, Isadora apela ao governador Belivaldo Chagas que transforme a Deotap em um partido político.

“Então peço ao excelentíssimo governador que transforme essa delegacia de onde saem tantos delegados políticos em um partido. E se vossa excelência não puder fazer isso, determine que todos os processos de Capela sejam levados para uma delegacia séria, porque tem. Para que as investigações sejam feitas de forma aceitável. E fica a minha pergunta: por que nenhuma denúncia, nenhuma condenação que nossos adversários têm vão pra frente? Nunca fizeram uma operação contra nossos adversários. Governador, a Deotap mostra que tem lado político na cidade de Capela. Porque então só o agrupamento Sukita fica em desvantagem no pleito? Essa delegacia e parte da mídia só são usadas contra o nome Sukita e sempre em período de eleição. Por isso, nunca andei nem ando com a cabeça baixa. Sempre andei de cabeça erguida. Porque eu conheço o outro lado da moeda”, conclui Isadora.





Por Redação
Foto: Divulgação

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