Moana Valadares rompe o silêncio e acusa Ricardo Marques de negociar nos bastidores: “Ele conversou com todos os lados”

Vereadora e candidata a deputada federal afirma que Ricardo já sabia havia meses que não receberia recursos da direção nacional do PL e sustenta que o rompimento de Érico estaria relacionado às negociações políticas conduzidas pelo candidato.

A crise interna no Partido Liberal (PL) de Sergipe ganhou novos contornos nesta quinta-feira (1º), após a vereadora de Aracaju e candidata a deputada federal Moana Valadares fazer duras acusações contra Ricardo Marques, candidato da legenda ao Governo do Estado.

Em uma manifestação pública, Moana afirmou que Ricardo teria mantido conversas com diferentes grupos políticos em busca de alternativas para sua candidatura e que a decisão de Érico Menezes de deixar a chapa estaria relacionada à descoberta dessas articulações.

Érico anunciou a renúncia à candidatura de vice-governador na última terça-feira (29). Em sua manifestação inicial, alegou motivos familiares e a necessidade de acompanhar a esposa, que enfrenta um período delicado. Posteriormente, porém, na carta encaminhada à Justiça Eleitoral, declarou também que deixou a disputa por não concordar com o posicionamento de Ricardo Marques quanto ao propósito da candidatura.

“Ele conversou com todos os lados”, afirma Moana

Segundo Moana, Ricardo teria buscado negociações com diferentes setores políticos enquanto mantinha sua candidatura pelo PL.

“Ele foi plantar uma semente de cada lado, ver onde dava para ele, onde era melhor”, afirmou a vereadora.

Ela disse ainda que recebeu informações de pessoas de sua confiança sobre as supostas articulações e que chegou a questionar diretamente Ricardo Marques sobre o assunto.

De acordo com Moana, as respostas dadas pelo candidato contribuíram para o rompimento da confiança entre os integrantes do grupo.

“Eu procurei ele, pedi que ele fosse verdadeiro comigo. Eu tenho aqui as mensagens. Pedi que ele me contasse, porque a gente precisava saber a verdade”, relatou.

A vereadora afirmou que, naquele momento, Ricardo teria negado que estivesse conduzindo as negociações mencionadas por ela.

Recursos do partido

Outro ponto central da fala de Moana foi a questão dos recursos para a campanha ao Governo de Sergipe.

Segundo ela, Ricardo Marques teria sido informado há aproximadamente quatro meses de que não receberia recursos da direção nacional do PL para a disputa majoritária.

“Ele sempre soube dessas condições e depois ficou dizendo que o partido não ajudou, que o partido não deu dinheiro”, declarou.

Moana afirmou que a decisão da direção nacional não seria exclusiva para Sergipe, mas faria parte de uma orientação mais ampla do partido para as candidaturas aos governos estaduais.

Segundo o relato da vereadora, a direção nacional teria estabelecido como prioridade o fortalecimento das candidaturas ao Senado e evitado direcionar recursos para disputas ao governo consideradas sem viabilidade para chegar ao segundo turno.

Ela disse que Ricardo foi chamado para uma conversa na qual estavam presentes, além dela, o deputado federal Rodrigo Valadares, Ricardo, Cecília e um bispo que, segundo Moana, acompanhava as negociações.

“Nós dissemos para ele: infelizmente, as coisas nas pesquisas não saíram como desejado. Você não cresceu nas pesquisas e o nacional disse que não vai ter recurso para você. Vamos repensar”, relatou.

Moana diz que Ricardo teria buscado negociações

Na avaliação apresentada pela vereadora, foi a partir desse cenário que Ricardo teria intensificado conversas com outros grupos.

“Mas, quando dissemos isso, Ricardo abriu que teria feito acordos com outros candidatos”, afirmou Moana, sem detalhar quais seriam os acordos ou quais benefícios estariam sendo negociados.

A vereadora classificou a movimentação como uma estratégia política de Ricardo em busca de uma alternativa para sua candidatura.

“Ele está na posição dele de buscar alianças, dos cargos. Ele é candidato. É uma posição estratégica, tanto para um lado quanto para o outro. Ele foi buscar essa negociação”, afirmou.

Segunda mudança de vice

Moana também relacionou a saída de Érico a um histórico recente de mudanças na composição da chapa de Ricardo Marques.

Antes de Érico, a chapa tinha a pastora Salete como candidata a vice. Ela também deixou a composição e posteriormente declarou apoio a Valmir de Francisquinho. Érico havia sido anunciado como substituto em agosto.

Na fala, Moana afirmou que Ricardo foi responsável pela escolha dos dois nomes.

“Quem escolheu Érico como vice foi Ricardo. A gente nem conhecia ele”, disse.

Segundo ela, Érico teria participado de reuniões nas quais acompanhou discussões sobre a campanha e teria percebido divergências entre o que era combinado e o que posteriormente acontecia.

“Ele até participou de várias reuniões, onde ele via tudo o que estava sendo combinado e que no outro dia eles faziam o oposto”, revelou.

Para Moana, a decisão de Érico de deixar a chapa pode ter ocorrido depois que ele tomou conhecimento dessas divergências.

“Eu acredito que ele renunciou justamente por ter descoberto toda essa situação e não quis participar”, declarou.

A versão apresentada por Moana, contudo, contrasta parcialmente com a primeira justificativa pública de Érico, que apontou questões familiares como motivo para sua saída. Na carta posteriormente encaminhada à Justiça Eleitoral, ele acrescentou a discordância quanto ao propósito da candidatura como fundamento para a renúncia.

“Estou cansada de ver mentiras”

Ao comentar o episódio, Moana afirmou que decidiu falar publicamente por considerar que versões sobre a crise interna do partido estavam circulando sem, segundo ela, refletir o que teria acontecido nos bastidores.

“Eu só acho que estou pela primeira vez desabafando, porque eu também estou cansada. Estou cansada de ver mentiras sendo reverberadas”, lamentou.

A vereadora reiterou que, segundo sua versão, Ricardo já teria conhecimento há mais de quatro meses sobre a ausência de recursos nacionais para sua candidatura.

“Sabia que não tinha dinheiro. Sabia já, tem mais de quatro meses”, garantiu.

As acusações de Moana foram feitas em meio à escalada da crise no PL sergipano. Nos últimos dias, integrantes da legenda protagonizaram divergências públicas envolvendo a composição das chapas, recursos de campanha e a participação de Ricardo Marques em eventos com lideranças nacionais do partido.

Justiça Eleitoral inviabiliza candidatura de Ricardo

A renúncia de Érico teve também consequência jurídica direta. Em 30 de setembro, a Justiça Eleitoral de Sergipe homologou a saída do candidato a vice e declarou inviável a manutenção da candidatura de Ricardo Marques ao Governo do Estado, considerando a indivisibilidade da chapa majoritária e o encerramento do prazo para substituição de candidaturas.

Ricardo Marques, por sua vez, havia declarado que pretendia manter a candidatura mesmo após a saída de Érico.

O episódio transformou a disputa do PL pelo Governo de Sergipe em uma das principais crises políticas da reta final das eleições de 2026.

Até o momento, o Hora News não conseguiu contato com o candidato Ricardo Marques para que ele pudesse se manifestar sobre as acusações feitas pela vereadora Moana Valadares. A reportagem permanece aberta para eventual posicionamento do candidato a respeito das declarações.


Por Redação
Foto: Hora News

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