Megaacordão para abafar escândalos e barrar impeachment avança no Senado, denuncia Alessandro Vieira

Senador afirma que disputa pelo comando do Senado não pode servir para negociar impunidade e defende candidatura baseada em transparência, combate à corrupção e reformas estruturais.

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) criticou uma suposta articulação política em Brasília que, segundo ele, teria como objetivo evitar investigações e processos contra integrantes dos Três Poderes. Em publicação nas redes sociais, o parlamentar apontou a reeleição do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), como peça central de um possível acordo e declarou que não pretende apoiar a recondução do senador ao cargo.

Na avaliação de Vieira, acontecimentos que dominam o noticiário político acabam desviando a atenção de uma movimentação que considera mais relevante para o futuro do país. Ele afirmou que haveria uma negociação conduzida de forma discreta para conter diferentes escândalos envolvendo autoridades dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

O senador sustenta que a eventual permanência de Alcolumbre na presidência do Senado estaria relacionada a compromissos para impedir a abertura de comissões parlamentares de inquérito (CPIs) e o avanço de processos de impeachment.

“Megaacordão para abafar simultaneamente todos os escândalos que atingem poderosos nos três poderes. A peça fundamental neste acordo é a reeleição de Davi Alcolumbre, com o compromisso de não instalação de CPIs ou processos de impeachment”, denuncia Alessandro.

Ao abordar a eleição para a presidência do Senado, prevista para 1º de fevereiro de 2027, Vieira afirmou que sua posição contrária à recondução de Alcolumbre já foi comunicada diretamente ao atual presidente da Casa.

“A minha posição é pública e foi comunicada serenamente ao próprio Davi: não conte com o meu voto. Concordo que o Brasil precisa de urgente pacificação, mas ela não pode ser construída com base em impunidade e cinismo, ignorando a vontade amplamente manifestada pela sociedade brasileira, que não suporta mais tanta desconexão entre suas necessidades reais e as vontades de uma elite corrompida”, enfatiza.

O senador também direcionou críticas aos parlamentares que foram eleitos com discursos de combate à corrupção e promessas de investigar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Para ele, o comportamento desses congressistas na próxima eleição interna será uma oportunidade de verificar se os compromissos assumidos durante a campanha serão mantidos.

Embora reconheça a necessidade de reduzir a polarização política no país, Vieira argumenta que a pacificação não pode ocorrer por meio de acordos que, em sua avaliação, favoreçam a impunidade. O parlamentar defendeu que as decisões tomadas pela cúpula do Congresso considerem as demandas da população e não apenas os interesses de grupos políticos.

“A mudança que tantos desejam não vai cair do céu ou chegar pelas mãos de um salvador da Pátria. Vai chegar pelo trabalho de muita gente, começando agora”, acrescentou.

Senador defende candidatura alternativa

Além de anunciar que não votará em Alcolumbre, Vieira afirmou que pretende participar das articulações para viabilizar uma candidatura alternativa à presidência do Senado. A proposta, segundo ele, deverá se apoiar em três diretrizes principais: transparência e enfrentamento à impunidade, respeito ao resultado das eleições presidenciais e elaboração de medidas legislativas para enfrentar problemas estruturais do país.

Nesse contexto, o senador ressaltou que a disputa pelo comando da Casa não deve ser tratada como uma nova etapa da eleição presidencial. Ele também afirmou que a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encerrou a disputa pelo Palácio do Planalto e que a eleição interna do Senado deve se concentrar nas responsabilidades do Legislativo.

“A eleição no Senado não representa um terceiro turno. As eleições presidenciais acabaram e Lula venceu”, observou.

Entre as prioridades defendidas por Vieira estão medidas para garantir maior estabilidade fiscal, reduzir os custos das eleições e aprimorar as condições de disputa eleitoral. O parlamentar também citou o combate ao crime organizado e a recuperação da credibilidade da Justiça como temas que deveriam ocupar espaço central na agenda do Senado.

Na avaliação do senador, já existem propostas legislativas capazes de contribuir para essas mudanças, mas a falta de liderança e de disposição política dificulta o avanço das iniciativas. Vieira defendeu a mobilização de diferentes parlamentares para construir uma alternativa que não dependa de uma única liderança.

“O Senado deve formular urgentemente soluções legislativas estruturais que garantam estabilidade fiscal, eleições mais baratas e justas, combate ao crime organizado e resgate da credibilidade da Justiça”, defendeu.

A manifestação ocorre em meio às articulações para a sucessão no comando do Senado, uma disputa que pode influenciar a definição da pauta legislativa e a relação da Casa com outros Poderes.

Ao defender uma candidatura alternativa, Vieira sinaliza que pretende colocar o combate à corrupção e a transparência no centro das negociações para a eleição de 2027. O senador sustenta que mudanças institucionais dependem de atuação política organizada e de compromissos concretos, em vez de acordos restritos à cúpula do Congresso.


Por Redação
Foto: Ton Molina/Agência Senado

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