Central de Regulação do SAMU virou um inferno para se trabalhar, denuncia funcionário

Na semana passada, dois fatos envolvendo a ineficiência no atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) chamaram a atenção dos sergipanos. O primeiro foi a negativa de atendimento a uma mulher grávida pela central de regulação, conforme desabafo do artista Jorge Lins em uma rede social. Já o outro foi a falta de atendimento a uma turista que caiu em uma passarela na praia de Atalaia. A ajuda foi filmada e divulgada através das redes sociais e grupos de WhatsApp. O SAMU também não prestou atendimento.

Mas o que está acontecendo com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência de Sergipe que já chegou a ser referência no país? Aliás, foi aqui no Estado que surgiu o SAMU, que foi adotado como padrão de atendimento por outros estados e hoje é um serviço nacional. Entre os inúmeros problemas existentes, um em especial chama a atenção: a inexistência de um número de profissionais necessários a um bom serviço.

E essa falha é reconhecida pela própria superintendente do SAMU, Conceição Mendonça. Em recente entrevista a uma emissora de rádio na semana passada, ela confessou que não há profissionais suficientes em todas as categorias, e que por isso a Secretaria de Estado da Saúde lançou um PSS – Processo Seletivo Simplificado para preencher essas vagas.

“Infelizmente o PSS foi suspenso”, disse. Para tentar preencher essa lacuna, Conceição Mendonça afirmou que está recorrendo às horas extras, o que é um risco, pois leva à sobrecarga de trabalho e situações como foram vistas na semana passada.

Central e Inferno

Para reforçar essa sobrecarga que acarreta em um serviço ruim prestado pelo SAMU, o Hora News ouviu um funcionário do Serviço que prefere não se identificar. O relato é preocupante. De acordo com ele, o grande problema do SAMU é falta de gestão. “Infelizmente o SAMU está entregue às baratas, vive de nome”, garante.

Segundo o funcionário, há vários médicos insatisfeitos porque o SAMU paga o pior salário a esses profissionais na rede pública estadual.

“Basta pegar o portal da transparência e comparar. Os médicos estão ficando insatisfeitos e pedindo para sair, principalmente os mais experientes”, denuncia.

Para evitar uma saída em massa, o servidor disse que a superintendente chama o médico insatisfeito e o convida para “ajudar na gestão do SAMU”.

“Isso acaba gerando uma situação confortável, pois o médico acaba indo para a gestão, muitas vezes sem cumprir as horas na Secretaria. Estão sendo desviados de função. Enquanto isso, a superintendente sobrecarrega a Central de Regulação, que virou um inferno para se trabalhar”, denuncia.

Para esse funcionário, essa medida da Superintendência é totalmente equivocada porque tira os médicos da atividade fim para os colocarem na atividade meio, que poderia ser realizada por pessoas que trabalham na área administrativa e com um salário menor.

“Por isso não tem mão-de-obra suficiente. A verdade é que o SAMU está afundando e a solução é simples, fácil de se resolver”, garante o funcionário.



Por Redação Hora News
Foto: SES/Divulgação

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