Relatório dos EUA classifica vitória de Lula como definitiva e surpreendente

Um relatório diplomático elaborado pela Embaixada dos Estados Unidos em Brasília classificou como “definitiva” e “surpreendente” a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições, realizado no domingo (25). O documento foi encaminhado na segunda-feira (26) a órgãos do governo americano, entre eles o Departamento de Estado.

Com o título “Eleições no Brasil: Lula é eleito em resultado surpreendente, mas definitivo; Flávio Bolsonaro considera resultado impossível de aceitar”, o material apresenta uma avaliação do processo eleitoral brasileiro e destaca que a votação ocorreu, em sua maior parte, de forma pacífica, apesar de dificuldades pontuais registradas em diferentes regiões do país.

Segundo informações divulgadas pela Folha de S.Paulo, que teve acesso ao relatório, a representação diplomática americana ressaltou que observadores internacionais não apontaram questionamentos capazes de colocar em dúvida a legitimidade do resultado das urnas.

Um dos pontos abordados é a ampliação do horário de votação, utilizada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) como argumento para contestar o resultado. De acordo com o documento, a medida não provocou alterações significativas na apuração, conforme dados apresentados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O relatório registra que Lula superou Flávio por uma diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos. Também menciona dificuldades enfrentadas por eleitores, especialmente no Nordeste e no Sul, incluindo problemas no transporte público e obstáculos para chegar às seções eleitorais.

Diante dos transtornos, as campanhas dos dois candidatos recorreram ao TSE solicitando providências para garantir que os eleitores conseguissem votar. A ampliação do período de votação foi autorizada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), permitindo que algumas seções funcionassem por até duas horas além do horário inicialmente previsto, encerrado às 17h.

A decisão, entretanto, provocou dúvidas e dificuldades operacionais em determinados locais, onde a orientação sobre a extensão do horário não chegou de maneira uniforme.

Conforme os números mencionados no relatório, aproximadamente 34 mil votos foram computados após as 17h. O volume representa cerca de 0,03% do total de votos e, segundo a avaliação apresentada, não seria suficiente para modificar a diferença registrada entre os candidatos.

O documento também cita o posicionamento do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, segundo o qual a extensão do horário não interferiu de maneira relevante no resultado da disputa.


Por Redação
Foto: Ricardo Stuckert

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