“Se for pra formar ativista, é melhor fechar”, diz vereador Lúcio Flávio sobre universidades públicas

O vereador Lúcio Flávio (PL) afirmou nesta quarta-feira (7), durante sessão da Câmara Municipal de Aracaju, que instituições públicas de ensino superior devem apresentar resultados compatíveis com os recursos recebidos do Estado. Ao comentar a atuação das universidades, o parlamentar criticou o que classificou como uso político das salas de aula e disse que, caso uma instituição seja destinada à formação de militantes, seria melhor que deixasse de existir.

A declaração ocorreu durante um debate sobre investimentos públicos em educação e foi feita após o vereador Elber Batalha (PSB), líder da oposição, apresentar comparações sobre a expansão da rede federal de ensino e os recursos destinados às instituições públicas.

Lúcio Flávio argumentou que os impostos pagos pela população precisam resultar em serviços públicos eficientes. Para ele, órgãos e empresas estatais que não cumprem adequadamente suas funções deveriam passar por mudanças ou deixar de ser mantidos pelo Estado.

“O dinheiro público não é lixo, não cai do céu nem balançando uma árvore. O serviço público que não está funcionando bem, a empresa pública que não está prestando serviço, que deve ao povo, que é o pagador, só tem dois caminhos: ou presta o serviço bom ou fecha ou é vendido. Não tem meio termo”, declarou.

Ao direcionar a crítica para as universidades, o vereador mencionou a Universidade Federal de Sergipe (UFS) e a paralisação de servidores da instituição. Ele defendeu que o ensino superior público tenha como prioridade a formação acadêmica e não a atuação política.

“Universidade pública ruim, ou tem que ficar boa, porque é cara, porque é do povo, porque é do imposto, ou fica boa, porque se for pra formar militante, se for pra formar ativista, é melhor fechar sim. Porque universidade é pra ensinar e não pra militar”, afirmou.

O parlamentar também questionou os gastos públicos com educação e disse que o trabalhador que financia o Estado por meio dos impostos deve receber serviços de qualidade.

Elber Batalha rebate críticas e cita investimentos federais

Antes da manifestação de Lúcio Flávio, Elber Batalha havia utilizado a tribuna para abordar investimentos na educação federal. O vereador citou a quantidade de institutos federais e escolas técnicas criados durante diferentes governos e defendeu que a expansão da rede avançou durante as administrações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Durante o discurso, Elber também resgatou uma declaração atribuída a Onyx Lorenzoni, que ocupou o cargo de ministro-chefe da Casa Civil durante o governo de Jair Bolsonaro. Segundo o vereador, o então ministro teria questionado a relevância da UFS e defendido sua extinção.

Elber afirmou ainda que, durante o governo Bolsonaro, recebeu do então reitor da universidade informações sobre dificuldades financeiras enfrentadas pela instituição, inclusive para arcar com despesas básicas.

“Foi construído mais IFS, mais escolas técnicas no governo Lula do que em toda a história do Brasil, somando todos os nossos presidentes”, disse.

Na sequência, o vereador mencionou a situação financeira da UFS no período citado.

“No governo Bolsonaro, o então reitor me relatava que faltava dinheiro para pagar a conta de energia elétrica”, afirmou.

O debate entre os parlamentares ocorreu em meio à discussão sobre o papel das instituições públicas de ensino, os investimentos federais em educação e a necessidade de prestação de serviços à população.

Qualidade acadêmica da UFS

A Universidade Federal de Sergipe (UFS) figura em rankings que avaliam o desempenho acadêmico e científico de instituições de ensino superior no Brasil e no exterior. No Ranking Universitário Folha (RUF) de 2024, a universidade ficou na 29ª colocação entre 203 instituições brasileiras e alcançou o 5º lugar entre as universidades do Nordeste no indicador de pesquisa.

No University Impact Rankings 2024, da Times Higher Education, a UFS apareceu na 25ª posição entre as instituições brasileiras. A universidade também foi reconhecida, em 2022, com o Prêmio CAPES-Elsevier na categoria Impacto da Colaboração Internacional, sendo a única instituição do Nordeste selecionada nessa categoria.

A própria Universidade Federal de Sergipe mantém pesquisas para acompanhar a trajetória de seus egressos, incluindo indicadores de empregabilidade, atuação profissional e continuidade dos estudos. Dados institucionais mostram, por exemplo, que o Centro de Ciências Biológicas e da Saúde registrou 73,3% de egressos empregados após a conclusão dos cursos.

A UFS também possui estudos específicos sobre a inserção de seus formados no mercado de trabalho e a continuidade da formação acadêmica.


Por Redação
Foto: Divulgação

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