PSOL: os desafios dos trabalhadores no governo João Alves Filho

O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) divulgou nota oficial sobre as expectativas em relação ao governo municipal de João Alves Filho (DEM). O texto faz uma breve análise de conjuntura e aponta perspectivas da esquerda aracajuana nos próximos anos de governo do prefeito João Alves Filho (DEM). A nota também faz uma avaliação da nova composição da Câmara de Vereadores de Aracaju. Confira a nota.  

OS DESAFIOS DOS TRABALHADORES NO GOVERNO JOÃO ALVES: APONTAMENTOS SOBRE A CONJUNTURA

1- Entramos em um novo período após um 2012 intenso, de muitas lutas e de uma grande vitória eleitoral da Frente de Esquerda que alcançou mais de 20 mil votos se mostrando como uma opção viável e coerente para atuar em conjunto com os trabalhadores aracajuanos. Nesse processo, o PSOL fez a diferença, estando pela primeira vez presente na chapa majoritária, tendo a maior votação entre os vereadores da Frente de Esquerda e dialogando com a sociedade sobre as pautas dos trabalhadores. É tempo agora de preparação para enfrentar a já conhecida falta de diálogo e transparência do truculento governo do DEM. Um governo que tem em sua marca a repressão, o assistencialismo personalizado e que passou pelo Estado deixando enormes dívidas e envolvimento em diversos casos de corrupção. Embora nacionalmente o DEM esteja enfraquecido, pois elegeu prefeitos em apenas duas capitais, em Aracaju possui ainda uma força considerável. Por isso, sem vacilações, estaremos firmes na oposição de esquerda lutando por nossos direitos e pela transformação da sociedade.

2 – Nós do PSOL elencamos algumas frentes de atuação como prioritárias para o próximo período. A luta por moradias populares nas periferias de Aracaju e região metropolitana; a luta por um plano diretor que combata a especulação imobiliária e crie regulamentos de convívio entre seres humanos e meio ambiente e atenda aos interesses das comunidades e dos movimentos organizados estabelecendo um crescimento ordenado para a cidade; a luta por um transporte coletivo de qualidade, com realização da licitação e o não aumento da passagem de ônibus; a luta contra toda forma de opressão, intensificando a luta das mulheres, dos negros e LGBT, a luta por uma saúde pública de qualidade, denunciando a privatização/terceirização, a situação caótica dos postos de saúde e buscando mais verbas públicas, a luta por uma educação pública de qualidade, colocando a escola em outro patamar, através da valorização dos profissionais e da aplicação de mais recursos públicos para a formação e condições de trabalho, a luta com a juventude por emprego e cultura, enfrentando a violência do estado nas comunidades e também através do movimento estudantil; a luta por um modelo de segurança pública construído democraticamente com os bairros e comunidades, denunciando assim a onda de militarização que apenas gera mais violência e serve para criminalizar a pobreza; a valorização necessária e merecida dos serviços públicos e dos servidores.

3 – São grandes desafios e responsabilidades que esperamos poder dividir com o conjunto da Frente de Esquerda, sindicatos de luta, movimentos sociais e todos os trabalhadores e jovens que estiverem dispostos a pensar outra Aracaju, uma cidade que de fato coloque a vida acima do lucro. A unidade dos trabalhadores e lutadores sociais será fundamental para enfrentarmos o agravamento da crise mundial que chega com cada vez mais força ao Brasil e Sergipe, e como sabemos tende a arrebentar a corda do “lado mais fraco”, com demissões, flexibilização de direitos e ataques ao meio ambiente. Os primeiros dias do novo governo João Alves já demonstram alguns desses impactos, em especial com a diminuição do dinheiro repassado através do FPM (Fundo de Participação dos Municípios) e do grande número de isenções fiscais dada ao empresariado no último período. E não teremos muito com o que contar além de nossas próprias forças. A eleição da mesa diretora da câmara de vereadores foi a melhor prova do que vem pela frente. Um “acordão” entre DEM, PT, PCdoB, PSB, PSDB e todos os partidos que compõem o legislativo. Na campanha eram opositores, mas na primeira oportunidade todos esqueceram suas “ideologias” e votaram junto, o que nos dá a certeza de que são todos partidos de negociatas, ou popularmente “farinha do mesmo saco”, com exceção do companheiro Iran Barbosa que de forma coerente votou nulo, mas que segue isolado e sem condições democráticas de fazer a disputa interna no PT. Os fatos mostram que o PT não tem mais condições de ser um partido de esquerda.

4 – Fortalecer as lutas e a esquerda aracajuana também precisa estar em consonância com a disputa de 2014 que se avizinha. Longe de vivermos somente de eleições, sabemos que é um espaço importante e que devemos estar bem preparados. Necessitamos consolidar em âmbito estadual o que temos feito em Aracaju: a retomada de construção de um bloco histórico capaz de responder aos anseios e necessidades do povo trabalhador do campo e da cidade nas lutas do cotidiano; Avançar na construção do projeto socialista, criando espaços amplos e democráticos de debate e ação unificada, apresentando uma alternativa concreta para que o povo sergipano não fique mais uma vez refém das oligarquias e elites locais. Vamos mostrar que não precisamos nos resumir a Amorim, Déda ou João. Os trabalhadores têm vez e voz. Contamos com você nessa construção! Que venha um 2013 de lutas e conquistas para a classe trabalhadora. Você tem opção, você tem o PSOL.

 

Partido Socialismo e Liberdade (PSOL)
Aracaju, Janeiro de 2013.

Compartilhe esta matéria

Veja mais