O deputado federal eleito Samuel Barreto (União Brasil), mais conhecido como Capitão Samuel, alinhado ao bolsonarismo, manifestou preocupação com os possíveis efeitos da aprovação do fim da escala de trabalho 6×1. Em vídeo publicado nas redes sociais nesta quinta-feira, 15, ele cobrou esclarecimentos sobre a aplicação da mudança em diferentes categorias profissionais, os custos para empresas e órgãos públicos e as regras para folgas e feriados.
Diante dos questionamentos apresentados pelo parlamentar, porém, uma pergunta também precisa ser feita: Capitão Samuel pretende cumprir uma rotina de trabalho de seis dias por semana, como ocorre com milhões de brasileiros, ou continuará defendendo suas posições sem assumir uma jornada semelhante à enfrentada por tantos trabalhadores e trabalhadoras?
Ao comentar a proposta, o deputado eleito destacou possíveis dificuldades para setores que adotam escalas específicas, como hospitais, serviços de vigilância e outras atividades que exigem funcionamento contínuo. Ele questionou se a mudança obrigaria empregadores a contratar mais funcionários ou a alterar os atuais modelos de jornada.
“Como fica a escala 12 por 36 de profissionais da saúde e de vigilantes? Vai ter que contratar mais um? Vai ficar 12 por 48?”, perguntou.
Capitão Samuel também levantou dúvidas sobre os reflexos financeiros da medida nos contratos mantidos por estados, municípios, hospitais e condomínios. Para ele, é necessário esclarecer quem assumirá eventuais despesas adicionais decorrentes de mudanças nas jornadas de trabalho.
O parlamentar mencionou ainda a escala 24 por 72 e demonstrou preocupação com a definição dos dias de descanso, especialmente diante da possibilidade de o domingo ser estabelecido como período preferencial de folga. Segundo ele, a regulamentação precisará esclarecer como serão tratados os finais de semana e os feriados.
O deputado eleito argumentou que parte dessas questões dependeria de regulamentação posterior e afirmou que existem exemplos de dispositivos legais que permaneceram sem aplicação por falta de normas complementares ou tiveram sua implementação diferente da expectativa inicial.
Apesar das dúvidas apresentadas, o debate não pode se limitar às dificuldades apontadas por quem questiona a redução da jornada. É necessário considerar também a realidade de quem enfrenta longas semanas de trabalho, dispõe de pouco tempo para a família e tem poucas oportunidades de descanso e lazer.
Seis dias de trabalho por semana são uma realidade para muitos brasileiros. Por isso, cabe perguntar ao futuro deputado: qual jornada ele considera justa para si e qual defende para a população que representa? A discussão sobre o fim da escala 6×1 exige respostas concretas, mas também compromisso com a qualidade de vida de quem sustenta a economia com o próprio trabalho.
Capitão Samuel afirmou que acompanhará o assunto a partir de fevereiro, quando assumir o mandato na Câmara dos Deputados, em Brasília. Ao encerrar o vídeo, declarou que “a luta vai continuar”. Resta saber, porém, qual será o objetivo dessa luta: aperfeiçoar a PEC para garantir melhores condições de trabalho ou tentar retirar direitos conquistados pela classe trabalhadora?
Por Redação
Foto: Agência Câmara












