Aracaju intensifica combate ao AVC com ações preventivas do CardioAju

Iniciativa já mapeou o risco cardiovascular de 213 mil pessoas e fortalece a identificação precoce de alterações na saúde da população.

A hipertensão arterial é um dos principais fatores de risco para o Acidente Vascular Cerebral (AVC), uma emergência médica que pode provocar sequelas graves e levar à morte. Em Aracaju, a Prefeitura fortalece as ações de prevenção por meio do CardioAju, que mapeou o risco cardiovascular de 213 mil pessoas desde o início da atual gestão até 8 de outubro de 2026. Neste período, foram realizadas aproximadamente 21 mil aferições de pressão arterial, com alterações em 39% dos resultados. A iniciativa, que antes estava presente em 25 unidades de saúde, foi ampliada para todas as 45 Unidades de Saúde da Família (USFs) da rede municipal.

Neste 29 de outubro, Dia Mundial de Combate ao AVC, os dados reforçam a importância de identificar precocemente fatores de risco e garantir o acompanhamento dos usuários na Rede de Atenção Primária.

O CardioAju integra uma iniciativa idealizada pela Fundação Novartis, desenvolvida em parceria com a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) e a Beneficência Portuguesa de São Paulo (BP), parceira implementadora. Na rede municipal, o Cantinho CardioAju facilita o acesso ao rastreamento por meio de aferição da pressão arterial, verificação da glicemia e cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC). Quando são identificadas alterações, os usuários são encaminhados para avaliação e acompanhamento profissional.

Na Unidade de Saúde da Família José Machado de Souza, as ações também incluem atividades educativas em espaços comunitários e orientações durante visitas domiciliares. De acordo com a gerente da unidade, Mônica Porfírio, o trabalho busca ampliar o acesso à prevenção e estimular a população a acompanhar regularmente a própria saúde.

“Nós temos um projeto aqui, que é o CardioAju, uma iniciativa da Prefeitura de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal da Saúde, voltada à prevenção, ao rastreamento e ao controle de doenças crônicas não transmissíveis, com foco na hipertensão, no diabetes, na obesidade e no risco cardiovascular”, explica.

Ainda segundo Mônica, os procedimentos são realizados inclusive enquanto os pacientes aguardam atendimento, o que facilita a identificação de alterações que precisam ser investigadas. A unidade conta com seis equipes de Saúde da Família e 26 agentes comunitários de saúde, que orientam os moradores sobre a importância de verificar a pressão arterial e procurar os serviços de saúde.

“Quando identificamos alguma alteração na pressão arterial ou na glicemia durante o rastreamento do CardioAju, os pacientes são encaminhados para avaliação e acompanhamento médico. São medidas simples que estimulam a adesão ao tratamento e fortalecem o autocuidado, tornando o atendimento mais ágil e resolutivo”, destaca.

A importância de reconhecer os sinais de alerta é conhecida pela paciente Maria José dos Santos, de 58 anos, que já sofreu um AVC. Ela conta que acordou com a boca torta e procurou atendimento na unidade de saúde, onde foi informada sobre o episódio. Depois da experiência, passou a dar mais atenção aos hábitos diários e à continuidade do tratamento.

“Já conhecia, porque eu já tive um AVC. Acordei com a boca torta e procurei a unidade de saúde. Lá, me informaram que eu tinha tido um AVC”, relata.

Segundo Maria José, o episódio serviu de alerta para cuidar melhor da saúde, com mudanças na alimentação, prática de atividades físicas e uso regular dos medicamentos. Ela também destaca o apoio recebido na unidade para manter essas orientações no dia a dia.

“Depois que a gente passa por isso, procura ter uma alimentação mais saudável, fazer atividade física e cuidar melhor da saúde”, afirma.

Para a paciente, o acompanhamento e o incentivo dos profissionais são importantes para seguir o tratamento. “É muito bom, porque, se a gente não tivesse o apoio daqui, como é que ia seguir em frente? Sem o apoio da unidade e das pessoas, não teria como seguir”, acrescenta.

Patrícia Gomes Rodrigues, de 45 anos, que tem hipertensão, destaca como o rastreamento pode ajudar a identificar alterações ainda desconhecidas pelo paciente. Ela conta que descobriu um problema de saúde durante os exames do CardioAju e, a partir do resultado, passou a receber acompanhamento da equipe.

“Descobri uma alteração aqui, por meio desse projeto. Eu estava participando do CardioAju, fiz o primeiro exame e já deu alterado. A partir daí, comecei a ter acompanhamento com a equipe e acabei descobrindo o problema”, conta.

A paciente procura a unidade com frequência para aferir a pressão arterial, especialmente depois que o aparelho que utilizava em casa quebrou. Ela também busca atendimento quando percebe que não está se sentindo bem. Para a paciente, a proximidade com os profissionais facilita o acesso à assistência e oferece mais segurança para cuidar da saúde.

“Quando sinto que não estou bem, que estou sonolenta ou muito agitada, já corro para cá para aferir a pressão, é  como se fosse minha segunda casa, porque é aqui que cuido da minha saúde. Sem saúde, a gente não é nada”, conclui. 

Maria Inês dos Santos, de 61 anos, também paciente da USF, destaca a importância do acompanhamento realizado na unidade para manter os cuidados com a saúde. Embora nunca tenha sofrido um Acidente Vascular Cerebral (AVC), ela mantém a rotina de prevenção e aproveita as visitas para verificar a pressão arterial. A paciente conta que costuma comparecer mensalmente para consultas de revisão e também aferir a pressão quando vai à unidade para realizar curativos.

“Vou dizer uma coisa com sinceridade: eu não gosto de médico, mas preciso. E gosto do atendimento daqui, a equipe do posto faz com que eu volte e me sinta acolhida. Esse cuidado, esse olhar mais sensível, fez com que eu perdesse o medo. Isso é muito gratificante, poder contar com esses médicos e com esse apoio”, relata.

Prevenção e sinais de alerta

Instituído pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela World Stroke Organization, o Dia Mundial de Combate ao AVC busca conscientizar a população sobre os fatores de risco, os sintomas e a importância do atendimento rápido.

Entre os sinais de alerta estão boca torta, fraqueza ou formigamento em um lado do corpo, dificuldade para falar, alteração súbita da visão, perda de equilíbrio e confusão mental repentina. Diante de qualquer suspeita, é fundamental acionar imediatamente o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo número 192, mesmo que os sintomas desapareçam.

A hipertensão arterial pode permanecer silenciosa e está entre os principais fatores de risco para o AVC. Manter a pressão controlada, seguir as orientações médicas, realizar consultas regulares, adotar uma alimentação equilibrada e praticar atividades físicas são medidas importantes para reduzir os riscos.

Com as ações do CardioAju e do Cantinho CardioAju, a Prefeitura de Aracaju fortalece o rastreamento e o acompanhamento de usuários na Atenção Primária, ampliando as oportunidades de identificação de fatores de risco e incentivando a população a manter os cuidados com a saúde.




Por Agência AAN
Foto: Ascom/SMS

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