Especialista alerta empresários sobre impactos da Reforma Tributária e reforça importância do planejamento fiscal

As mudanças trazidas pela Reforma Tributária já exigem atenção redobrada dos empresários brasileiros. A necessidade de revisar processos, avaliar os efeitos da nova estrutura de impostos e preparar os negócios para o período de transição foi um dos principais temas abordados pelo contabilista Josevaldo Mota em entrevista à Jovem Pan, no programa Jornal da Manhã, nesta quarta-feira (28).

Durante a participação, ele explicou como as alterações no sistema tributário podem influenciar diretamente a administração das empresas, desde a organização financeira até a definição dos preços de produtos e serviços. Um dos aspectos destacados foi a diversificação das fontes de receita, uma vez que diferentes atividades econômicas podem estar sujeitas a tratamentos tributários distintos.

Para o contabilista, acompanhar as mudanças deixou de ser uma preocupação exclusiva dos profissionais da contabilidade e passou a fazer parte das decisões estratégicas de qualquer negócio.

“O empresário também precisa entender como a tributação interfere no resultado do negócio. Não se trata apenas de saber quanto será pago de imposto, mas de avaliar contratos, estrutura empresarial, folha, margem e a própria formação do preço dos serviços”, destacou.

Transição tributária exige preparação antecipada

Outro tema central da entrevista foi a implementação do novo modelo de tributação sobre o consumo, que prevê a adoção do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) Dual. O sistema é composto pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de competência federal, e pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), compartilhado entre estados e municípios.

A transição para o novo modelo exige que as empresas acompanhem as mudanças na legislação e avaliem como elas poderão repercutir em suas operações. Durante a entrevista, Josevaldo apresentou simulações para ilustrar como diferentes enquadramentos tributários podem produzir resultados distintos, conforme as características de cada empresa.

Na avaliação do especialista, o período de adaptação deve ser aproveitado para analisar dados financeiros, rever procedimentos internos e antecipar possíveis efeitos sobre os custos e a rentabilidade.

“A Reforma Tributária exige uma mudança de postura. A empresa não pode esperar a nova tributação chegar para depois descobrir qual será o impacto. 2026 precisa ser utilizado para estudar números, revisar procedimentos e preparar a operação para os próximos anos”, afirmou.

Planejamento tributário e organização financeira

A entrevista também abordou estratégias legais de planejamento tributário e a importância de avaliar periodicamente o enquadramento fiscal das empresas. Entre as medidas discutidas estão a análise do Fator R, a revisão das atividades exercidas, a comparação entre regimes tributários e a adequação de contratos à realidade operacional de cada negócio.

Outro ponto de atenção envolve práticas que podem aumentar a exposição a questionamentos fiscais, como a mistura de recursos pessoais com os da empresa, a distribuição de lucros sem documentação contábil suficiente e a criação de estruturas empresariais sem atividade econômica efetiva.

Josevaldo ressaltou que o planejamento deve estar fundamentado na legislação e acompanhado de registros capazes de demonstrar a regularidade das operações.

“Planejamento tributário não significa criar atalhos. Significa conhecer a legislação, organizar a empresa e tomar decisões dentro da legalidade. Quanto maior a capacidade de comprovar cada operação, menor é a exposição do empresário a riscos fiscais”, explicou.

Nesse contexto, o contabilista defendeu a incorporação de procedimentos de controle à rotina empresarial, como a elaboração e análise do balanço patrimonial e da Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), a definição adequada do pró-labore, a formalização da distribuição de lucros e a separação das movimentações financeiras da pessoa física e da pessoa jurídica.

Informação contábil como ferramenta de decisão

Ao tratar dos desafios para os próximos anos, Josevaldo destacou que o acompanhamento contábil deve contribuir não apenas para o cumprimento das obrigações legais, mas também para orientar decisões sobre preços, custos, contratos e rentabilidade.

O objetivo, segundo ele, é permitir que os empresários compreendam os efeitos práticos das mudanças tributárias e adotem medidas com antecedência, evitando decisões baseadas apenas em estimativas ou informações incompletas.

“A Reforma Tributária parece distante quando discutimos apenas leis e alíquotas. Mas ela fica muito concreta quando mostramos quanto uma empresa paga hoje, quanto poderá pagar, quais decisões podem ser tomadas e como proteger a margem do negócio. É essa visão prática que queremos levar ao corretor”, concluiu.

Presidente da Sociedade Brasileira de Contabilidade (SBC) e CEO da J&A Assessoria Contábil, Josevaldo é especialista em Gestão Fiscal e Planejamento Tributário. Também atua como consultor empresarial, professor, instrutor e palestrante.


Por Redação
Foto: Hora News

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