FENAJ repudia debate da Band e denuncia ataques e desinformação em prejuízo da democracia

A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e seus sindicatos filiados divulgaram nota de repúdio à condução do debate eleitoral promovido pela TV Bandeirantes, no domingo (18). As entidades criticam o que classificam como um esvaziamento do papel informativo do jornalismo, com predominância de provocações, ataques pessoais e desinformação em detrimento da discussão de propostas.

No documento, a Federação cobra mudanças no formato dos debates e reforça a responsabilidade das emissoras na defesa do direito à informação de qualidade e da democracia.

Confira a nota na íntegra.

Debate eleitoral não é espetáculo. Jornalismo exige compromisso com a verdade e a democracia!

A Federação Nacional dos Jornalistas e seus Sindicatos filiados manifestam indignação com a condução e o formato do debate eleitoral promovido pela TV Bandeirantes, na noite do último domingo (18/10). O que deveria ser um espaço democrático de confronto de ideias, apresentação de propostas e esclarecimento dos eleitores transformou-se em um espetáculo de provocações, bordões e ataques, em prejuízo da informação e interesse público.

O jornalismo não pode ser refém da lógica do espetáculo, da audiência a qualquer preço ou das estratégias de candidatos que desprezam o diálogo democrático. Quando perguntas não são respondidas, afirmações falsas deixam de ser confrontadas e argumentos são substituídos por encenações, quem perde é a população brasileira.

Liberdade de expressão não significa liberdade para transformar um debate jornalístico em instrumento de manipulação. E pluralidade não significa conceder às mentiras o mesmo tratamento dispensado aos fatos.

Reconhecemos a trajetória dos profissionais responsáveis pela mediação, mas questionamos a responsabilidade editorial da emissora, a fragilidade das regras e a ausência de mecanismos capazes de assegurar a finalidade do debate. Não basta oferecer tempo igual aos candidatos. É indispensável garantir informações relevantes, fundamentadas e passíveis de verificação.

O jornalismo não pode abdicar de sua responsabilidade de perguntar, confrontar versões, contextualizar acontecimentos e exigir respostas. A neutralidade diante da desinformação não representa imparcialidade. Ao contrário, pode contribuir para sua legitimação.

É grave quando um debate favorece slogans e ataques pessoais, relegando a segundo plano temas fundamentais como saúde, educação, emprego, renda, desigualdade, segurança, soberania nacional, meio ambiente e direitos sociais. O futuro do país exige propostas concretas, não encenações destinadas à produção de cortes para as redes sociais.

Defendemos que as emissoras revejam seus modelos de debates eleitorais, com regras efetivas que assegurem respostas objetivas, intervenção editorial diante de informações comprovadamente falsas e responsabilização pelo descumprimento das normas.

Não se trata de restringir o contraditório ou tutelar o pensamento dos eleitores, mas de assegurar o direito constitucional à informação de qualidade e impedir que a desinformação comprometa a liberdade de escolha.

O Brasil conhece as consequências da normalização da mentira, da violência verbal e dos ataques às instituições democráticas. O jornalismo não pode ignorar essa experiência nem repetir práticas que transformaram a agressividade e a desinformação em instrumentos de disputa política.

Cabe às empresas de comunicação, aos profissionais e às entidades representativas reafirmar os princípios éticos do jornalismo. A informação é um direito da sociedade, não uma mercadoria subordinada aos interesses comerciais ou à busca de audiência.

Reafirmamos nosso compromisso histórico com a liberdade de imprensa, a ética profissional, o direito à informação e a defesa intransigente da democracia.

Debate eleitoral não é entretenimento. Jornalismo não é espetáculo. Democracia não se constrói com mentiras. A sociedade brasileira merece debates à altura de seus desafios. E o jornalismo tem o dever de estar à altura de sua responsabilidade.

Brasília, 19 de outubro de 2026.

Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e Sindicatos de Jornalistas Filiados

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